Consciência negra

domingo, 22 de novembro de 2009



Como alguém pode declarar que possui uma cultura, se não sabe suas origens, não faz a menor idéia da história do seu povo, dos seus antepassados? Do que adianta saber o dia do descobrimento do Brasil, se não conhecer a história daqueles que carregaram meu próprio sangue. Meus semelhantes. Pessoas que tiveram sua dignidade subjada e sobrepujada pelo imperialismo. É tão estranho saber que carrego dentro de mim o sangue do imperialista que massacrou, assim como carrego o sangue dos negros que, por tão longo tempo, sofreram e foram massacrados na sua pátria. A pátria, que deveria ser um lugar seguro, o seu lar, era um lugar de dor sofrimento e desolação. Os seus lares eram suas prisões. Mas, não bastava estarem presos, tinham que ser amendrontados, desrespeitados, dizimados. Em seus próprios lares. Apartheid.
Ter consciência negra é mais do que exaltar o legado deixado por Zumbi, é mais do que comemorar a abolição da escravatura. É conhecer as conquistas  de Luther King, é admirar a luta de Mandela. Contudo, apenas admiração não basta. Precisamos deixar de ser egoístas e ensinar as nossas crianças. Filhos, netos e sobrinhos. O governo, de fato, não se importa com um país melhor, com um futuro melhor, Apenas nós podemos construí-lo com as nossas  mãos. Afinal, o caminho para diminuir a desigualdade e os problemas com corrupção, passa pela educação. O que é mais revoltante em tudo isso? Saber que o governo apenas se importa que os alunos saibam a importâcia de carta de Pero Vaz de Caminha, mas quase não fala da Carta da Liberdade.
"Diga-lhes apenas o que não nos trará problemas. Ensine-os que os problemas vem desde a época colonial, para que pensem que nada pode ser mudado. Não dê importância às conquistas de Mandela. A história de idealistas, de ativistas políticos que alcançaram mudanças, pode formar pessoas  que nos trarão problemas no futuro. Pessoas conscientes do papel do invíduo, pessoas conscientes que a união faz a força, que se unirão contra as injustiças e não aceitarão um governo corrompido. Questionadores que não aceitarão um governante qualquer, que dificilmente serão enganadas. Elas votarão com suas mentes e não com seus estômagos. " Isso corre por debaixo dos panos. É o pensamento do governo, uma opinião mantida de modo velado, maquiada com projetos patéticos e estatísticas falsas para dizer que o número de alfabetos está menor, quando vejo centenas de crianças saíram da escola com um vocabulário e ortografia péssimos. Crianças que não são incentivadas a ler, que são alienadas pela TV. Como George Orwell já previa, uma geração de  poucos questionadores, que senta em frente do televisor e aceita tudo que o "Grande Irmão" fala.

PS: Minha mãe conta que, quando eu era um bebê, por inúmeras vezes, perguntaram-lhe se ela era minha babá. Quando eu era pequena, tinha olhos mais claros, verdes. Traços genéticos dos holandeses e alemães. Minha pele é branca e não faço demagogia, porque o sangue dos negros massacrados também corre nas minhas veias. Assim, como o do índio perseguido e do português que o colonizou e desreipeitou.  Miscigenação. Minha genética é uma colcha de retalhos.E as inúmeras origens de meus antepassados me fazem ser quem eu sou: uma pessoa que acredita que a vestimenta a cor da pele, o status social, não definem o que uma pessoa é. Já vi muitos ricos pobres de espírito, assim como muita gente defavorecida com alma nobre. Porque o ser é muito mais importante do que o ter ou o ostentar.


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1 telhas:

Natalie Teves disse...

eu tb sou afro descendente
e toda vez que digo isso, falam que eu to sendo preonceituosa, isso me cansa, pessoas que nao se assumem, afff
beijinhos

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